CENTRO DE INVESTIGAÇÃO EM MEIO AMBIENTE, GENÉTICA E ONCOBIOLOGIA

O cancro é uma das principais causas de morte em Portugal e a incidência das neoplasias malignas tem vindo a aumentar, tal como acontece nos países mais desenvolvidos. O aumento da incidência do cancro resulta de diversos factores entre os quais se salienta o envelhecimento da população e as modificações no estilo de vida.

Em 1985 os países membros da então Comunidade Económica Europeia decidiram desenvolver um programa coordenado, “Europa Contra o Cancro”, com o objectivo de reduzir de 15% a mortalidade por cancro no ano 2000. Para que essa meta pudesse ser atingida o programa previu, entre outros aspectos, o desenvolvimento coordenado do ensino pré-graduado da Oncologia nas faculdades de medicina dos países membros da C.E.E..

Portugal aderiu desde o início aos objectivos do programa “Europa Contra o Cancro” desenvolvendo numerosas actividades, entre as quais se destaca a criação, por parte do Governo português, de um Conselho Nacional de Oncologia responsável pela elaboração dos Planos Oncológicos, o primeiro dos quais para o período de 1990 a 1994.

Também a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra não foi indiferente a esta tomada de consciência da comunidade nacional e internacional para uma situação de dimensões crescentes e com grande impacto na saúde das populações. Assim, já em Fevereiro de 1987, para colmatar a insuficiência do ensino curricular da Oncologia aos alunos da licenciatura em Medicina, deu-se início aos Seminários de Oncologia Clínica, com uma periodicidade semestral, e onde eram abordadas, de modo interdisciplinar, as localizações tumorais mais frequentes.

No ano seguinte, em Maio de 1988 a Faculdade de Medicina de Coimbra participou activamente na Reunião de Consenso Europeu, organizada em Bona pela C.E.E. e pela E.O.R.T.C., onde foram estabelecidas as linhas gerais de desenvolvimento de programas de ensino pré-graduado da Oncologia.

A partir de 1989 a Faculdade de Medicina integrou, no último ano do curso, no curriculum da licenciatura em Medicina, uma disciplina de Oncologia com ensino teórico e prático e em conformidade com as directivas da reunião de Bona. A partir de 1992 foi adoptado a mesma metodologia para a licenciatura em Medicina Dentária.

Em 1992 entendeu-se que, com a integração da Oncologia no ensino curricular pré-graduado, estavam esgotados os objectivos definidos para os “Seminários de Oncologia Clínica” mas que a Faculdade de Medicina de Coimbra deveria desempenhar um papel activo na educação e formação contínuas, dando a conhecer, aos especialistas, clínicos gerais e a todos os que se interessam pela Oncologia, incluindo enfermeiros, farmacêuticos e técnicos para-médicos, os progressos nesta área do saber médico, quer no que se refere à investigação aplicada, quer à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e à reabilitação. Assim passaram a realizar-se, anualmente, no mês de Janeiro, as “Actualizações em Oncologia”.

De acordo com o primeiro Plano Oncológico os Hospitais da Universidade de Coimbra criaram, em 1992, a Comissão de Coordenação Oncológica que contribuiu para uma abordagem multidisciplinar dos cuidados prestados aos doentes com cancro. Em 1998 foram introduzidas as Reuniões (Consultas) de Decisão Terapêutica; em 2000 foi inaugurado o Serviço de Radioterapia e o Hospital de Dia de Oncologia e nesse mesmo ano publicado o livro “A Oncologia no Final do Milénio”, onde se demonstrou que os Hospitais da Universidade de Coimbra são uma das maiores unidades hospitalares portuguesas que se ocupa do diagnóstico e tratamento de doentes com as mais variadas neoplasias malignas, recorrendo às tecnologias mais modernas, de acordo com “Protocolos de Diagnóstico e Tratamento” que têm sido divulgados a partir de 2003.

Em 1994, um grupo de docentes da Faculdade de Medicina de Coimbra, elaborou um projecto para a criação de um Centro de Oncobiologia, que foi aprovado pelo Conselho Científico, mas que posteriormente não foi desenvolvido dado ter havido prioridade para outros projectos muito válidos na área da investigação científica e que hoje em dia prestigiam a Instituição.

O facto de se entender que a Faculdade de Medicina estava a cumprir o seu papel no ensino pré-graduado da Oncologia, a um nível excelente, e a circunstância dos Hospitais da Universidade de Coimbra serem uma unidade de referência para os doentes oncológicos criaram as condições para que a investigação na área da Oncologia seja encarada como uma prioridade para os próximos anos. A consciencialização de que a investigação se deve estender desde a carcinogénese à patologia molecular, passando pela genética, levou o Conselho Científico da Faculdade de Medicina de Coimbra a aprovar, no final de 2003, a criação do Centro de Investigação em Meio Ambiente, Genética e Oncobiologia (CIMAGO). Este centro tem como objectivo exercer e promover a investigação científica fundamental e aplicada e o desenvolvimento experimental sobre os vários aspectos relacionados com o Ambiente, a Genética e o Cancro. Para a prossecução destas actividades, compete ao CIMAGO criar e manter unidades de qualidade onde decorra essa investigação, a preparação de quadros científicos e técnicos, as acções formativas de reciclagem e actualização, bem como a divulgação dos resultados obtidos.

A actividade do CIMAGO tem lugar nos Institutos e Clínicas da Faculdade de Medicina bem como noutros centros de investigação da Universidade de Coimbra, na rede de cuidados de saúde da Região Centro e em colaboração com instituições nacionais e estrangeiras que comungam dos mesmos objectivos.

Além da Direcção e do Conselho do Centro (Comissão Coordenadora) o funcionamento do CIMAGO depende do Conselho Consultivo Interinstitucional no qual participam todas as entidades públicas e privadas, nacionais ou estrangeiras, que colaboram activamente para o cumprimento dos objectivos previamente definidos.

O financiamento dos projectos de investigação é da responsabilidade não só da Faculdade de Medicina, mas também dos membros do Conselho Consultivo Interinstitucional, de fundações e instituições de utilidade pública nacionais ou estrangeiras, de Associações ou Sociedades Científicas e de empresas privadas nacionais ou estrangeiras.

O Presidente da Direcção do CIMAGO

Professor Doutor Carlos Freire de Oliveira

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